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Detestada por uns, amada e idolatrada por
outros. Morar no Brasil e não ter tido
contato com a axé music (ou música
baiana) é humanamente impossível.
O estilo musical que estourou no Carnaval de
Salvador completa 25 anos em 2010. Neste tempo,
criou rainha e musas, grupos que atraem milhares
de fãs, e não parou de inventar
moda. E também mantém em atividade
um sistema de negócios que, só
durante as folias de Momo, na capital baiana,
movimenta o montante de R$ 1,2 bilhão
e 11 mil artistas, de acordo com dados da Empresa
de Turismo de Salvador (Emtursa).
Atenta às comemorações,
a gravadora Universal Music lança o disco
"We Are Bahia", reunindo gravações
de hits da música baiana nestas duas
décadas de movimento. Há desde
Netinho ("Milla") até a saudosa
Banda Reflexu?s, com o seu "Madagascar
Olodum".
A axé music foi a responsável
também por incluir o ritual das chamadas
micaretas nas grandes e pequenas cidades. Que
outro ritmo musical coloca todo mundo uniformizado
(de abadá), dançando atrás
de um carro munido de caixas de som e um grupo
tocando a todo vapor? Querendo ou não,
ela sempre se destaca.
"É o que faz parte do tempero do
Brasil e não é nenhum exagero",
conceitua, por telefone, de Salvador, o baterista
da banda Asa de Águia, Rady. O grupo,
capitaneado por Durval Lelys, é testemunha
ocular dessa evolução da axé,
já que começou a agitar os foliões
em 1987. "A matéria-prima desse
estilo de música sempre foi a alegria,
a animação. O ritmo nas composições
reflete isto. E o Asa fica contente de fazer
parte dessa história", declara.
Para o artista, as críticas dirigidas
à música baiana são pura
"dor-de-cotovelo". "É
natural receber críticas quando se faz
sucesso. Mas no começo era bem pior.
Hoje, o axé está consolidado,
é profissional, gera milhares de empregos
e atrai patrocínio. Ele é levado
muito a sério", argumenta.
Reflexo
A cantora Flavinha Mendonça, defensora
do estilo em terras capixabas, é outra
que vê nele um reflexo do jeito brasileiro
de ser. "É uma música que
contagia pelo ritmo, sempre recorrendo à
alegria, animação, celebração
da vida. Talvez por isso tenha durado até
hoje e tenha atravessado fronteiras", descreve.
Ela é atração do Vitória
Folia, evento que, nos dias 14 e 15 de maio,
revitaliza o antigo Vital em formato indoor
(ambiente fechado), no Sambódromo de
Vitória.
O resgate da fórmula do carnaval fora
de época em Vitória se deve principalmente
à sua aceitação junto ao
público capixaba. Shows de artistas de
axé music sempre atraíram grandes
plateias no Estado, mesmo nos momentos em que
o gênero enfrentou queda de popularidade
em outras praças. Entre os foliões
que não dispensam uma micareta de suas
agendas está o casal Adriano e Léia
Santos.
Moradores do Bairro de Fátima, Serra,
eles chegam a viajar pelo Estado (e até
fora dele) para ir atrás do trio elétrico,
mantendo com capricho uma vasta coleção
de abadás. "É uma música
energizante. Tem gente que critica, mas é
um estilo que comemora a vida. Eu prefiro os
artistas mais clássicos como Daniela
Mercury, Margareth Menezes. Minha esposa gosta
dos mais agitados como a Cláudia Leitte,
o Asa de Águia. Mas a diversão
é sempre garantida", descreve Adriano.
Esse fenômeno é acompanhado de
perto pelo jornalista baiano Osmar Martins,
o Marrom. Especialista em axé music,
ele viu o movimento nascer e mantém uma
coluna diária e um blog no jornal soteropolitano
"Correio".
"Na verdade, o nome 'axé music'
é mais apropriado para a cena baiana
e não para a produção musical.
Esse estilo nasceu da mistura de lambada, pagode
e do chamado galope bebendo na fonte do que
se tocava nos blocos afro, principalmente o
Olodum", precisa. Mas não há
controvérsias quanto ao início
de tudo: foi Luiz Caldas com "Fricote".
"Ele vendeu 100 mil cópias, fora
do eixo Rio-São Paulo, um feito para
a época, e isso acabou chamando a atenção
do mercado nacional", relembra.
Pontos marcantes da evolução
da axé music
1985
O início de tudo
O cantor e compositor Luiz Caldas (foto) fica
conhecido em todo o Brasil com a música
"Fricote", conhecida como a "nega
do cabelo duro". É considerado o
marco inicial da axé music.
1989
A turma cresce
A Bahia apresenta ao Brasil as bandas Mel e
Cheiro de Amor, com Márcia Freire. Também
começam a despontar nacionalmente os
grupos Asa de Águia, comandado por Durval
Lelys, e Chiclete com Banana, de Bell Marques.
1992
Chega a rainha
A axé music ganha sua rainha. Ela é
Daniela Mercury, que explode no país
com a música "O Canto da Cidade".
A cantora atrai 40 mil pessoas à Praça
da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 8 de dezembro.
Carlinhos Brown ganha destaque com seu samba-reggae.
1995
A musa aparece
Ivete Sangalo chama a atenção
na Banda Eva. Não passa muito tempo e
ela deixa o grupo para seguir carreira solo.
A dobradinha coreografia e música invade
os canais de TV e as rádios com o pagode
do grupo É o Tchan, acoplado a Carla
Perez.
2001
Diva teen
Claúdia Leitte, que se destacou no Babado
Novo, também parte para carreira solo.
2010
Coreografia de volta
2010 é tempo de retorno da fórmula
"música + coreografia" com
o grupo Parangolé e o seu hit "Rebolation".
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